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Os desafios e as superações de ser um inventor autônomo

By Paulo Gannam, de São Lourenço city, Brazil

Ser inventor autônomo não é moleza. Uma invenção tem tantos filtros pelos quais passar que isso gera longos períodos de descoberta.

Confiança é fundamental, mas assim como a relevância da criação. Toda pessoa, ao criar alguma coisa, precisa pensar: “Isto é algo que realmente economiza tempo e dinheiro? Isto é algo que já não existe? Será que realmente funciona ou é realmente necessário? Aplica-se a um mercado grande o suficiente?”

Ser inventor requer pelo menos um pouco de conhecimento em design, prototipagem, patentes, análise de materiais, produção, importação/exportação, análise de custos, marketing, gestão de dinheiro, gestão empresarial, direito dos contratos … É preciso ser teimoso, mas aberto, um equilíbrio difícil.

No Brasil, não existe programa que apoie, no sentido exato desta palavra, o inventor independente, pessoa física, com recursos para que ele possa realizar um estudo de viabilidade técnica e econômica de seu projeto e desenvolvimento de um protótipo físico. Há quem sempre sugira instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e Fundações de Amparo ao Ensino e à Pesquisa.

Mas os programas de apoio são voltados apenas para empresas, pessoas jurídicas com CNPJ, como se o foco devesse estar em empresas e não na inovação e qualidade do projeto, que pode ajudar as pessoas e movimentar muito dinheiro, trazendo muito imposto de renda ao país graças aos royalties que o produto pode gerar.

Quando algumas dessas instituições chegam a “apoiar” o inventor independente, se você sondar direito o programa, ele não se trata de apoio coisa nenhuma, e sim de um negócio como outro qualquer – e dos piores para o inventor. Exemplo: há fundações de amparo que, se julgarem sua invenção com bom potencial de mercado, arcam com os custos de depósito do pedido de patente e pela administração da sua patente, pagando pelas anuidades que hoje estão em torno de R$ 80,00 a R$ 100,00 ao ano, até que a carta-patente seja concedida (depois que a carta-patente é concedida as anuidades aumentam progressivamente a cada ano).

Em troca de pagar por essas taxas de serviços do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), fundações de amparo requisitam a cotitularidade da patente e direitos de participação comercial sobre a mesma. Ou seja, investem uma mixaria no seu projeto, normalmente não te ajudam a divulgá-lo nem a mediá-lo numa eventual negociação; nem a desenvolver o protótipo, tampouco a fazer um estudo de viabilidade comercial, não tendo tido ainda nenhuma participação na concepção da ideia. Mas se seu invento milagrosamente gerar royalties pesados graças aos seus heroicos esforços, eles ficam com uma boa fatia do bolo.

Não consigo entender aonde a palavra “apoio” se encaixa nessa tratativa. Dar apoio a uma pessoa não é o mesmo que fazer negócios com ela, só que isto no Brasil é convenientemente misturado.

As invenções

É estranho, mas eis o cenário: de acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, mais de 60 % de tudo o que foi inventado ou aperfeiçoado no mundo até hoje foi a partir de inventores autônomos. Outra estimativa aponta que menos de 3% de tudo o que é inventado no mundo consegue chegar ao mercado. No Brasil, não há a preocupação com uma boa ideia vinda de anônimos, pessoas físicas. Se você não está conveniado a um centro de pesquisa, universidade ou qualquer outra empresa privada, não receberá um centavo do governo e terá de trilhar um caminho solitário, pedregoso e quase sempre demorado até encontrar – se encontrar – um parceiro para seu projeto. Será que me intimido? De jeito nenhum, a paixão e a perseverança falam mais alto! Como inventor autônomo há mais de 3 anos, tenho, até o momento, 4 patentes solicitadas e procuro parceiros industriais para lançá-las no mercado via licenciamento. São elas (bem resumidinhas):

1- Sistema de Cooperação no Trânsito:
Aparelhinho eletrônico de comunicação instantânea que alerta, com frases curtas e objetivas, qualquer problema/situação identificável em um veículo ou nas estradas.

A comunicação é feita com outros usuários que também tenham o aparelho, o qual não depende, necessariamente, de internet, cujo sinal é ruim em certos locais e nos quais a troca de sinais e gestos entre motoristas é imprecisa.

Alguns exemplos de mensagens: luz de freio queimada, pneu murcho, luz de ré queimada, emergência, pessoa doente no carro, acidente/animal/deslizamento, incêndios, chuva forte à frente, etc. Também permitirá a comunicação entre órgãos de Governo e motoristas, campanhas de educação no trânsito…
2-Sensor lateral para proteger rodas e pneus junto ao meio-fio: Um sensor que avisa o momento em que o condutor está próximo de esbarrar o pneu ou roda junto ao meio-fio, em qualquer tipo de movimento (com ou sem uso de marcha-ré).Esse produto é uma “mão na roda”. Muito mais simples e barato que projetos complexos e caríssimos, como o Park Assist e o Intellisafe, ele atende a uma necessidade de modo mais completo, se comparado com retrovisores elétricos do tipo tilt down.
3- Protetor de unhas para portadores de onicofagia (hábito de roer as unhas):

É uma película que reveste as unhas do usuário de forma elegante e discreta, sem causar desconforto algum, pois cobre apenas as unhas sem perder a sensibilidade dos dedos e pode ser usada por homens e mulheres.
4- Lixa para unhas três em uma:

Trata-se de um produto inédito no mercado, cuja extremidade é arredondada e fina. Suas funções consistem em uma parte para dar brilho e outra para lixar a superfície das unhas. Entre as pontas, no cabo dessa lixa, há uma superfície circular para lixar o contorno da unha com diversos graus de aspereza — espessura em sua circunferência, conforme preferência do usuário. Seu formato anatômico impede esfoliações na pele ao lado da cutícula.Mas que vantagens que um empresário tem em investir num produto blindado com a patente?
Quando a ideia do inventor for viável, é muito barato um empresário fazer parceria com um inventor, principalmente se levarmos em conta a originalidade do projeto e exclusividade de produção e comercialização, estando livre de concorrência por até 20 anos. O empresário ganha ainda valorização do patrimônio intangível de sua empresa (no caso de compra da patente) e maior valor agregado.

 

 

 

 

Perfil do Escritor:

Paulo Gannam é formado em jornalismo pela Universidade de Taubaté e especialista em dependência química pela Universidade de São Paulo. Já teve alguns trabalhos nessas áreas (assessoria de imprensa, auxiliar em centro de recuperação de dependentes químicos e depois supervisor de Censo pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas o que nos últimos 3 anos, segundo ele, tem lhe dado prazer profissional é a criação, solicitação da patente, negociação e busca pela comercialização de produtos no mercado através de parcerias com empresas já estabelecidas. Hoje 70% do seu trabalho é focado na criação e desenvolvimento de novos produtos e sua apresentação a empresas. Nos 30% restantes atua com administração imobiliária.

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